domingo, 21 de novembro de 2010

E,naquele momento,

Eu sabia que só me restavam alguns segundos...
Perguntei-me oque eu esperava fazer na vida que agora eu não teria.
Perguntei-me o porque eu estava fazendo aquilo.
A água aos poucos inundava meus pulmões,
O ardor se tornava cada vez maior.
Eu olhava para a superfície,agora tão distante,
Tudo oque eu conseguia distinguir era o constante brilho da lua
Meus braços se debatiam num gesto involuntário
Tudo oque eu sentia era o peso de metal amarrado aos meus pés
Que me mantinha presa ao fundo do poço.
Irônico pensar
Em todos os momentos felizes que eu passei
Perto daqui,
Embaixo desse belo luar
Sentada na beira desse poço
Um poço que para sempre guardaria meus segredos.
Uma chuva rala começa,
Talvez fossem os anjos chorando minha morte.
Uma silhueta se fixa acima de mim
Não conseguia distinguir,
Minha visão já se embaçava.
A água já havia tomado conta de tudo dentro de mim,
Talvez eu morreria pura.
Ouvia gritos,
Mais silhuetas rodeavam o poço
Os gritos,o desespero...
Cada vez mais eu percebia que não valia a pena fazer aquilo que eu estava fazendo
Com o pouco de consciência que ainda me restara,
Tentava desesperadamente me soltar.
Uma pessoa pula na água,
Junta-se à mim,
Desesperada,consegue me levar para terra firme.
Aquele toque delicado,
Aquela voz doce...
Sem dúvidas era ele.
Sim,eu poderia morrer feliz agora,
Nos braços de quem eu amei.
Num gesto de ternura e dor,
Ele gritava.
Infelizmente,
O socorro não chegou á tempo.
Eu fechei os olhos.
Para sempre.
Na escuridão do infinito,
Procurei uma luz...
Uma luz que eu não achei.


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